Mariana, 08 de outubro de 2021.
É muito interessante o quanto a maternidade nos leva a momentos de confusão, desespero e receios. Puxa vida… lidar com o desenvolvimento alheio é uma tarefa bastante complexa.
Desde o início da minha maternidade me vejo passando por sentimentos de ambiguidade. Não que não acontecesse antes, mas com a presença do meu filho, isso se tornou mais intenso e recorrente.
Acredito que uma série de fatores contribua para isso, entre eles a minha forma nata de lidar com mudanças, a qual, diga-se de passagem, foi altamente aprimorada com a maternidade.
Lidar com o desenvolvimento infantil é uma montanha russa de sentimentos. Em cada fase surge uma questão nova e um novo jeito de lidar com elas nos é requerido. Inevitavelmente, começamos a nos questionar: Isso o que a criança está fazendo é normal? Ou devo me preocupar? Será que o meu jeito de lidar com isso é adequado? Será que os comportamentos e intensificação deles estão associados ao meu jeito de educar?
O meu filho está com 05 anos e inúmeras questões já me assolaram… Algumas relacionadas à sua evolução rumo a maior independência (dele e minha): desmamar, dormir a noite inteira, desfraldar, se adaptar à escola, comer sozinho e com variedade. Outras, relacionadas a qualidade dos comportamentos: birras, atenção às atividades da escola, independência emocional… E, agora, após praticamente 02 anos em casa por conta da pandemia, ando especialmente preocupada com os impactos da ausência das interações sociais, especialmente com outras crianças, em sua vida. Sem falar do tempo de tela, que aumentou, por eu não conseguir estar o tempo todo com ele, uma vez que também me divido entre tarefas domésticas e tentativas de me dedicar a projetos pessoais.
Um grande aprendizado surgiu durante todo esse tempo: o de reconhecer que tudo é um PROCESSO e que pequenas coisas que eu fiz lá no passado, não me dando ainda conta da sua importância, geraram impactos positivos lá na frente.
Um exemplo bem legal foi o do momento do desfralde, quando colocava meu filho com seus dois aninhos no peniquinho musical para fazer cocô e ele o encarava como um super brinquedo, sendo que uma das últimas coisas que ele fazia era ficar sentado nele. Eu pensava: meu Deus, será que um dia esse menino vai ficar sentado nisso? E a minha sábia mãe dizia: “Minha filha, vai colocando ele, ainda que não fique sentado… Deixe ele de cuequinha em casa, ainda que o xixi escorra pelas pernas”. À caminho de completar 03 anos eu resolvi encarar o desafio de frente e impressionantemente o desfralde veio em tempo recorde. Em poucos dias que resolvi deixá-lo permanentemente de cueca, ele passou a usar o vaso como um mini-adulto, ia de cueca para a escola e, para a surpresa de muitas mães, não requeria fralda nem para dormir. Não tive dúvidas que a intimidade criada com o peniquinho e alegria de alguns cocôs lá emplacados, somada à liberdade trazida pelos dias livres de fraldas, muito contribuíram para o processo, ainda que, no momento, eu pensasse que não.
O mesmo vale para a introdução e evolução alimentar, onde percebo que meu árduo trabalho de formiguinha, relevando as rejeições e reapresentando, insistentemente, os alimentos, o levaram hoje a aceitar uma vasta gama deles.
Poderia dar inúmeros outros exemplos, mas vejo aqui que me aproximo ao final da minha carta…
O desenvolvimento do ser humano precisa ser respeitado… Ele é complexo, delicado e desafiador. Muitas vezes não nos sentimos, ou de fato, não estamos preparadas para isso. Por isso é tão bom dividir, trocar experiências com outras mães, para nos fortalecermos e acolhermos.
O importante é que a cada dia temos a possibilidade de plantar novas sementinhas, redirecionar nossa atenção, reformular estratégias, nos consolar, e com muito amor, seguir em frente!
Luciana Marques, Mãe do Caio, 37 anos
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