Ouro Preto, 1o de julho de 2021
Querida amiga mamãe,
Olha eu aí e aqui de novo. Como muitas alegrias volto ao túnel do tempo. Há 49 anos atras, casei com a minha cara metade, nada de metade; casei com o amor da minha vida. Companheiro, presente em tudo e com todos. Conquistou toda a família. Nesta época, eu já tomava alguns remédios para cuidar de uma disritmia cerebral. Precisei passar, aguardar por uns tempos até trocar os remédios para realizar meu sonho: ser mãe.
O tempo passou, as adaptações ao novo remédio deram certo e aí a alegria chegou. Engravidei, realizando o meu sonho. A gravidez foi feliz, mas com alguns sustos, pois ainda tive algumas crises. Mas a caminhada continuava tranquila, pois a presenças de Deus e do companheiro nunca faltaram.
Nasceu o Márcio, aparentemente saudável, mas com o passar de poucas horas veio a falecer. Que tristeza, que sofrimento, que angústia. Mas com tudo isso ainda deu tempo de batizá-lo e quem o levou para o enterro foi meu companheiro. Abraçado aquela criança, cheio de angústia, de tristeza, mas cumpriu a sua missão. Entregou a Deus aquele anjinho.
Depois que saí do hospital, fui para casa dos meus pais, buscar amor e colo. A vida foi voltando ao normal. Normal, não, perdas não são fáceis. Mas Deus me deu um recurso. Como eu já participava de encontros de família e de jovens, fui chamada para participar de um encontro de jovens no colégio Dom Bosco em Cachoeira do Campo. Fazia um mês que o Márcio tinha ido embora. Questionei: O que eu vou fazer nesse encontro? Pois a minha missão ia ser acolher os jovens com o meu sorriso e minha alegria.
Mas obedeci, pois o chamado era de Deus. Conseguia acolher os jovens com sorrisos, abraços, beijos. Como o rosto doía ao sorrir, mas levei a missão até o fim.
No último dia de encontro para a reflexão com os jovens, o coordenador perguntou: Como vocês estão se sentindo agora, hoje? O que este encontro simbolizou para vocês?
Cada um manifestou a sua alegria e deu seus testemunhos. De repente uma jovem bastante tímida levantou os braços e disse:
– O encontro aconteceu em mim e comigo quando eu recebi o abraço e o beijo da Vanda. Ali foi meu encontro, pois vi no seu sorriso a presença de Deus!
Aí eu pensei:
– Era ele mesmo que sorria para a jovem. Só emprestei o rosto, pois meu coração ainda estava muito triste.
Naquele momento aprendi muito. Deus nos oferece uma missão para com ela sairmos conformados. Aceitando a cruz com sabedoria como fez seu filho Jesus. Passou o tempo, voltei ao médico para uma avaliação. Mas antes de voltar ao médico, meu companheiro amoroso disse:
– Vanda, nossa perda foi imensa, mas o Márcio levou tudo. Você está curada.
E foi o que o médico disse na avaliação. Você está muito bem e curada. Tome mais seis meses do remédio e vai diminuindo aos poucos. E eu estou muito feliz, pois não esperava um resultado tão bom. Saímos felizes do consultório e até hoje, diante de tantos encontros e desencontros, muitas vitórias alcançamos, pois nunca estou sozinha.
Obrigada mãe querida por pode compartilhar mais essa história com você… E garanto a você, outras passagens bonitas virão.
Beijos
Mamãe Vanda
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