Congonhas, 19 de agosto de 2021
Querida mãe ou futura mamãe,
A vida nos prega inúmeras peças, algumas mais desafiantes, outras lindas surpresas, umas chegam como um choque mesmo… Quero compartilhar algumas, antes e depois que me tornei mãe.
Em 2010 fui diagnosticada com endometrioma, um visto no ovário e, foi preciso que retirasse o cisto e o ovário esquerdo. Junto do diagnóstico, o médico ressaltou que eu teria muita dificuldade em engravidar. Me mostrou diferentes pesquisas e estudos sobre. Foi um dia de muito choro, pois eu sonhava em ter cinco filhos. Porém, eu pensava: “vida que segue”, eu realizo a cirurgia e com o tempo eu tento adoção.
Digo eu, porque nesta época, eu e o meu companheiro, havíamos brigado. Entretanto, em outubro de 2011, o amor falou mais forte e fizemos as pazes. Geramos nosso primeiro bebê.
Cerca de um mês após reatarmos, fiz a ultrassom, que já estava agendada, para checar se o cisto não havia voltado. Já com uma pulga atrás da orelha – o corpo dava sinais, porém, com pouca esperança, escuto do senhor que realizava a ultrassom: “não há cisto nenhum, pode ficar despreocupada, vou te mostrar o seu cistinho”. Então, vejo na tela o embrião e escuto som do seu coração. Eu ri, chorei, fiquei anestesiada. Liguei para o Thiago, ele disse que quase caiu da escada.
Observação: Tudo isso ocorreu enquanto eu cursava o mestrado, morava numa república com amigas, longe da minha família.
Como surpresa pouca é bobagem, passaram-se algumas semanas e eis que surge uma nova “gravidinha”: minha orientadora. Que alegria! Que loucura! Tranquilo! Vai dar tudo certo!
E sim, deu muito certo! Com a ajuda dos excelentes professores, amigos, familiares e meu companheiro, defendi o mestrado com presença da nossa filha, Elis Indira, ela tinha seis meses. Óbvio que não foi fácil! Precisei de um tempo maior e, após muitos e-mails, ofícios, ligações, fui a primeira aluna, bolsista da CAPES, a conseguir licença maternidade no Programa de Mestrado que estava realizando.
Já sabendo que não era infértil, planejamos e em outubro de 2015, com a graça de Deus, nasceu nossa segunda menina: Olga Niara. Agora estávamos, mais seguros, confiantes e sem mestrado. Nossa família estava ainda mais feliz.
Em 2017, planejamos e engravidamos pela terceira vez, porém, em janeiro de 2018, eu tive um aborto espontâneo. Que choque! Que tristeza! Com o tempo de recuperação e de luto, após consultas médicas, em outubro do mesmo ano, engravidamos novamente e, em julho de 2019, nasceu nossa terceira filha, Núria Dandara.
Do final de 2018 a julho de 2019, a palavra que mais ouvi foi: coragem. Todos, ao nosso redor, falavam que éramos corajosos em querer e ter três filhos. Será? Sonhávamos em ter cinco…mas veio a pandemia e ponderou tudo. Três filhotas está excelente! Somos gratos demais por tê-las como filhas. Nossas vidas mudaram, e mudaram para melhor.
Com a chegada delas, as emoções só aumentaram…novos choques, surpresas e desafios, que serão contados, posteriormente, em uma nova carta.
Um grande abraço,
Giséle
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