Ouro Preto, 20 de agosto de 2021.
Ser criança hoje, nessa época de Covid19, acho que é uma das coisas mais difíceis.
Eles estão fazendo sacrifícios maiores que eles mesmos. Obedecendo normas e regras sem poder entender completamente o porquê e para que… Mesmo assim não se falava muito sobre eles.
No entanto, ultimamente, rios de palavras sobre o assunto: percebeu-se que eles foram deixados de lado por muito tempo nesta quarentena. Agora, volta-se as atenções para eles, mas será mesmo para eles ou apenas para garantir que não seja um ano letivo perdido?
Ser criança no tempo de Covid19… como é difícil!
Quando perguntei à Sophia qual era a coisa mais difícil para ela atualmente, a resposta veio com a simplicidade que distingue as crianças: “mãe é fácil! É só não sair”.
Como culpá-la? Ela se viu trancada da noite para o dia, sem sequer ter tempo para lhe explicar, para prepará-la. Você dirá “ah, como todo mundo” e está certo, mas os pequenos, para mudanças tão intensas e drásticas, precisam de mais atenção.
As crianças se viram catapultadas para uma nova realidade, que não tem nada real. Aqueles que precisam de coisas concretas e tangíveis tiveram que se proteger de algo abstrato. Aqueles que vivem por contato físico tiveram que aceitar uma tela fria para ver quem ama.
Ser criança no tempo de Covid19 significa confiar cegamente nos pais, sem entender completamente o que está acontecendo. E se às vezes caírem em lágrimas desesperadas por nada, é muito compreensível.
Eu também perguntei a ela o que mais sente falta. A primeira resposta foi da vovó e de todos meus tios/tias/primos e também dos meus amigos e professores.
Quando as aulas voltaram, no início do 2° Trimestre de 2020, com metodologia nova (adotada pela escola), tendo aulas com o professor ao vivo e não apenas gravadas, a primeira frase que ela me disse quando a aula terminou foi: “mamãe ficou mais fácil hoje com a professora”. Não contive as lágrimas!
É assim… a escola representa mais que apenas o papel de formadora, a escola é amiga e professora, não é a estrutura nem o ensino. A escola é risada, abraços, diversão. Lugar onde são capazes de aprender coisas novas juntos.
A tela, e nós pais, não podemos substituir tudo isso. Entre as tantas perdas geradas pela pandemia, está a impossibilidade de que tenham os amigos e professores como confidentes, já que agora a mãe e o pai estão sempre por perto (até para garantir que se concentrem diante da tela para não perderem o foco e atenção – outra situação complexa que pretendo não entrar no mérito… pelo menos não agora).
Afetos como avós, tios, amigos, devem ser vividos em alto contato e não atrás de uma tela. O amor sentido num abraço não vale o mesmo que alguém disse por telefone. Não é suficiente para nós (adultos conscientes), como poderia ser para eles?
Precisamos nos reinventar, renovar, adaptar…
E se não é fácil para nós, que dirá para eles!
Aline Testasicca
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